Burnout cresce no Brasil e coloca saúde mental no trabalho novamente em alerta

  • 25/09/2026

Burnout cresce no Brasil e coloca saúde mental no trabalho novamente em alerta

Número de afastamentos relacionados ao esgotamento profissional aumentou nos últimos anos e chama atenção para sobrecarga, relações de trabalho e identificação dos primeiros sinais

Cansaço depois de um dia difícil de trabalho é uma coisa. Viver permanentemente esgotado, sem conseguir se recuperar mesmo depois de descansar, é outra.

O crescimento dos afastamentos relacionados ao burnout no Brasil voltou a chamar atenção para uma questão que já deixou há muito tempo de ser apenas uma conversa sobre produtividade.

Material enviado ao Coisas da Dina cita levantamento da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (Anamt), com dados do INSS, segundo o qual os afastamentos teriam passado de 1.760 para 6.985, um crescimento de 296%.

A psicóloga e psicanalista Fabiana Ratti, mestre em Psicologia Clínica pela PUC-SP e com mais de 25 anos de atuação, observa que queixas relacionadas à sobrecarga, desvalorização e sofrimento no ambiente profissional passaram a aparecer com frequência no atendimento clínico.

O burnout está associado ao contexto ocupacional e não deve ser confundido automaticamente com qualquer situação de cansaço ou estresse. Exaustão persistente, distanciamento ou sentimentos negativos em relação ao trabalho e queda na eficácia profissional estão entre as dimensões utilizadas pela Organização Mundial da Saúde para caracterizar o fenômeno.

Isso também significa que a solução não pode ficar apenas nas costas do trabalhador. Descanso, acompanhamento profissional e mudanças individuais podem ser importantes, mas condições de trabalho, carga excessiva, relações profissionais e formas de liderança também precisam entrar na conversa.

Prestar atenção aos primeiros sinais pode evitar que a situação avance. Quando o sofrimento começa a interferir no sono, nas relações, na capacidade de trabalhar ou na vida fora do trabalho, procurar avaliação profissional é um caminho importante.

Saúde mental não deveria começar a ser discutida somente quando alguém já não consegue mais trabalhar.

Texto: Redação Coisas da Dina

Foto: Divulgação 

Fonte: levantamento citado pela Anamt com dados do INSS / Fabiana Ratt


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